Vontade própria ou utopia imposta pela sociedade?
O mês é janeiro de um ano qualquer. É cedo. Cyrlene acorda, olha para o teto e pensa: “Eu? Ficar aqui com esses vizinhos barulhentos, sem educação, miseráveis de cultura e ridículos? Não, já se foi a hora de querer mudar o mundo e tudo permanecer igual! Vou mudar o MEU mundo” ...
Lembra do filho daquela patroa que Cyrlene tinha? O que gastava uma fortuna em som pro carro, só para os vizinhos estarem ouvindo o quanto ele é medíocre, pela qualidade das músicas que ouvia? Pois é, acabou-se descobrindo que é gay e dos bem mal falados nos círculos de amizades gays da cidade e de fora dela, pois sua fama foi conquistada primeiro fora da cidade onde vive e agora chegou aqui por conta de um ex-namorado que não suportou ser trocado por um vaqueiro de uma cidade miserável do interior por onde o tal rapaz andava. Mesmo ele sendo gay, sustentava um ar de “macho” pra manter as aparências, ouvia forró o tempo todo só andava em vaquejadas e se portava como um bruto, um ignorante total, mas era rodiado de flores toda vez que seu querido o recepcionava toda semana.
Cyrlene nunca foi de se conformar com algumas coisas que a vida lhe propos a entender, mas, como dizia um amigo da faculdade... “Cyrlene, você há de convir: todos essse moleques que estão por aí no mundo e fazem o que der na mente minúscula deles, ora bolas!” Daí, num sorriso verdadeiro, concordando, replica...
OS RELATOS DE UMA DOMÉSTICA, SEGUNDA PARTE: A RÉPLICA !
Olha, querido, devo imaginar como é, pois você não imagina como é essa família. Todos têm um problema daqueles a esconder ou explodir a qualquer momento, mas, com certeza, o do rapaz não é um problema e sim algo que ele teria que confiar em alguém para dividir e não ser um idiota disfarçado de cowboy urbano gay!
Ah, esses moleques de hoje são simplesmente um horror! Só andam desarrumados, cheirando mal, vivem bebendo em festas intermináveis, testando até onde vai o limite de seus corpos - que outrora já foram bem cuidados – e acabam por não dormir, fomentam suas vidas em um curso de Direito fajuto, imaginando que um dia um tio ou tia vai dar a eles um empreguinho. Mas esbarram nos exames de Ordem da vida e sentem que a vida não é tão fácil como imaginaram. E voltam a beber, como se tudo não passasse de um sonho. Perdão, pesadelo!
Ah, é a semana que troco de carro, estou comprando, à vista, um modelo econômico, completo, cheio de detalhes! Vou economizar e proteger a natureza. Sou uma doméstica ainda, reconheço, mas que mal há de se ter um carro que não me faça vergonha e chegar sempre no trabalho limpa, sem calor e ainda por cima ajudar a proteger o planeta? Pois o tal modelo é flex e o álcool queimado não polui tanto.
Em se falando de aquecimento...minha patroa acaba de "esquentar" meu salário, sem que eu nem ao menos mencionasse tal aumento. Ela comentou que dou valor às coisas em extinção, como educação, amizade e conhecimento, coisa que ela não enxerga mais em seus filhos. Coitada.. deve ter desistido do analista e, como economiza, está me pagando a mais. Também, com os filhos que tem, ela deve é estar com vergonha, pois naqueles não se deposita nada, pois não se recebe nada de bonito de volta.
Sobre o ex-namorado do filho da minha patroa? Havia de se parar o mundo para conhece-lo: lindo, inteligente, sagaz e cheio de força de vontade de ter sucesso nas mãos. Prometera até o mundo para o filho da minha patroa, mas esse aí...ficou com um vaqueiro de um lugar insalubre, onde perambulava quando queria beber e ouvir músicas sem sentido, só barulho... Ficou com o tal e foi pego! Um amigo deles em comum viu toda a cena grotesca e logo foi contar ao amigo, que outrora fora apaixonado verdadeiramente...Não sei quem é o errado na história, mas senti pena do garoto que era enganado. Deixa pra lá...
Estou perto das provas de final de semestre, pois houve uma greve e o meu período na universidade foi atrasado por conta disso. Pobres dos professores e miseráveis dos alunos que atrasam sua entrada no mercado de trabalho. Depois ficam comentando que o país não presta! Acho que quem não presta é quem faz o país.
Essa é a minha retórica, cheia de mágoa por pessoas que não seguem o curso normal da vida. Mas deixe viver, um dia enxergarão a vida como é realmente. Seremos felizes por isso, não?
O mês é janeiro de um ano qualquer. É cedo. Cyrlene acorda, olha para o teto e pensa: “Eu? Ficar aqui com esses vizinhos barulhentos, sem educação, miseráveis de cultura e ridículos? Não, já se foi a hora de querer mudar o mundo e tudo permanecer igual! Vou mudar o MEU mundo” ...
Lembra do filho daquela patroa que Cyrlene tinha? O que gastava uma fortuna em som pro carro, só para os vizinhos estarem ouvindo o quanto ele é medíocre, pela qualidade das músicas que ouvia? Pois é, acabou-se descobrindo que é gay e dos bem mal falados nos círculos de amizades gays da cidade e de fora dela, pois sua fama foi conquistada primeiro fora da cidade onde vive e agora chegou aqui por conta de um ex-namorado que não suportou ser trocado por um vaqueiro de uma cidade miserável do interior por onde o tal rapaz andava. Mesmo ele sendo gay, sustentava um ar de “macho” pra manter as aparências, ouvia forró o tempo todo só andava em vaquejadas e se portava como um bruto, um ignorante total, mas era rodiado de flores toda vez que seu querido o recepcionava toda semana.
Cyrlene nunca foi de se conformar com algumas coisas que a vida lhe propos a entender, mas, como dizia um amigo da faculdade... “Cyrlene, você há de convir: todos essse moleques que estão por aí no mundo e fazem o que der na mente minúscula deles, ora bolas!” Daí, num sorriso verdadeiro, concordando, replica...
OS RELATOS DE UMA DOMÉSTICA, SEGUNDA PARTE: A RÉPLICA !
Olha, querido, devo imaginar como é, pois você não imagina como é essa família. Todos têm um problema daqueles a esconder ou explodir a qualquer momento, mas, com certeza, o do rapaz não é um problema e sim algo que ele teria que confiar em alguém para dividir e não ser um idiota disfarçado de cowboy urbano gay!
Ah, esses moleques de hoje são simplesmente um horror! Só andam desarrumados, cheirando mal, vivem bebendo em festas intermináveis, testando até onde vai o limite de seus corpos - que outrora já foram bem cuidados – e acabam por não dormir, fomentam suas vidas em um curso de Direito fajuto, imaginando que um dia um tio ou tia vai dar a eles um empreguinho. Mas esbarram nos exames de Ordem da vida e sentem que a vida não é tão fácil como imaginaram. E voltam a beber, como se tudo não passasse de um sonho. Perdão, pesadelo!
Ah, é a semana que troco de carro, estou comprando, à vista, um modelo econômico, completo, cheio de detalhes! Vou economizar e proteger a natureza. Sou uma doméstica ainda, reconheço, mas que mal há de se ter um carro que não me faça vergonha e chegar sempre no trabalho limpa, sem calor e ainda por cima ajudar a proteger o planeta? Pois o tal modelo é flex e o álcool queimado não polui tanto.
Em se falando de aquecimento...minha patroa acaba de "esquentar" meu salário, sem que eu nem ao menos mencionasse tal aumento. Ela comentou que dou valor às coisas em extinção, como educação, amizade e conhecimento, coisa que ela não enxerga mais em seus filhos. Coitada.. deve ter desistido do analista e, como economiza, está me pagando a mais. Também, com os filhos que tem, ela deve é estar com vergonha, pois naqueles não se deposita nada, pois não se recebe nada de bonito de volta.
Sobre o ex-namorado do filho da minha patroa? Havia de se parar o mundo para conhece-lo: lindo, inteligente, sagaz e cheio de força de vontade de ter sucesso nas mãos. Prometera até o mundo para o filho da minha patroa, mas esse aí...ficou com um vaqueiro de um lugar insalubre, onde perambulava quando queria beber e ouvir músicas sem sentido, só barulho... Ficou com o tal e foi pego! Um amigo deles em comum viu toda a cena grotesca e logo foi contar ao amigo, que outrora fora apaixonado verdadeiramente...Não sei quem é o errado na história, mas senti pena do garoto que era enganado. Deixa pra lá...
Estou perto das provas de final de semestre, pois houve uma greve e o meu período na universidade foi atrasado por conta disso. Pobres dos professores e miseráveis dos alunos que atrasam sua entrada no mercado de trabalho. Depois ficam comentando que o país não presta! Acho que quem não presta é quem faz o país.
Essa é a minha retórica, cheia de mágoa por pessoas que não seguem o curso normal da vida. Mas deixe viver, um dia enxergarão a vida como é realmente. Seremos felizes por isso, não?
Tenho enorme vontade de viver, de ser feliz, de ter sucesso. E já senti que isso só acontece com filhos de quem nunca foi rico ou enriqueceu por força de trabalho árduo e a escalada da vida foi tortuosa e agora se encontra onde todos querem estar. Vejo os "filhinhos de papai" estragando suas vidas, para depois tentar conserta-las. Se pudesse dar um conselho a eles agora, diria que a hora de mudar é agora, enquanto ferve a juventude. Mas não ligam mesmo, volto, então, ao meu curso, pois tenho que me ficar de férias e passarei as merecidas férias em alguma praia do Caribe, presente que vou dar a mim mesma por ter economizado para um novo carro, uma faculdade e um pouco de lazer.
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